sexta-feira, 13 de março de 2009

Morte subta

Enquanto eu vinha pra cá minhas pernas começaram a tremer. Eu ainda estou suando - cansativo correr assim – mas isso não tem problema. Enquanto eu abotoava minha blusa eu pensava um turbilhão de coisas. O inesperado é assustador. Minha boca seca, meu olhar indeciso. Eu tenho tantas imagens boas de você, tantas… é difícil dizer alguma coisa, não queria te ver assim, não sabia que Deus fazia isso com as pessoas; Você me entende, sabe o quanto é difícil. Eu ainda estou me perguntando se devia estar aqui. Talvez fosse melhor sem despedidas. Antes de entrar eu parei, olhei. E podia de lá mesmo ter gritado – Eu te amo, eu sempre amei. Mesmo que não tenha sido do jeito certo, mesmo que tenha sido com poucos abraços – fazer no grito, simplesmente dizer, porque...ninguém tem esse direito. O que você está fazendo aqui? Ainda é cedo. O que dá pra fazer de diferente agora? O que eu vou conseguir fazer igual? - Por quanto tempo vai ser isso? - Eu nunca imaginei que pudéssemos nos separar; nasci de você, eu sei que com todo mundo é assim, mas isso é muito agora, isso é tudo. Serei somente lembranças.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Delicatessen

E ela sentada lá de novo, comendo seu famoso doce de queijo. Sempre na mesma cadeira, em frente a diretoria. A cadeira reservada aos meninos atentados que pra lá são obrigados a ir. Os pés balançando por não alcançarem o chão. Olhos claros, pela branca, suave. O olhar leve e sereno de sempre. A boca apertada. Os lábios bem irrigados de sangue. Mulher ainda menina. Poderosa sem saber porquê, poderosa sem saber;

domingo, 1 de março de 2009

A boca - Os olhos

É muito louco como estamos a um centímetro do erro. Se piscarmos sem atenção pode já ser tarde demais.
Hoje eu coagi a favor do erro, e o pior, sem saber de nada. Se você estivesse de acordo, eu estaria em maus-lenções, pois não há espaço pra mim na sua cama. Hoje eu me joguei no erro, fechei os olhos por tempo indeterminado e se você se permitisse eu pulava de alma, abriria seu coração por um pouco de prazer efêmero, um prazer que nasce enfermo, seu coração estaria exposto às aranhas agora.
Nada ter acontecido, talvez tenha sido o melhor aviso divino desse dia, quase funesto. E se falarmos de culpas, de divinos, não se isente, não sorria. Só chegamos até aqui por sua força também. Que Deus nos crie, mas que ponha as culpas cristãs nas pessoas de Cristo; Pára, porque eu preciso me purificar do meu desacerto d’agora. Quase quebrei meus vasos indianos, cronstruidos de barro velho, milenares.

E se você quiser eu vou, eu largo tudo e vou, escrever já não está mais me preenchendo, fodam-se todos os preenchimentos. Vamos ser vazios, vamos pra Bahia e ficar por lá. Porque hoje eu não larguei de olhar a sua boca. E mil outras vezes eu olhei também, mas nada sai de mim, não consigo te parar e dizer: vem! Nem sei mesmo se quero que venha, ao menos dizer eu queria, mas é isso que não consigo de forma alguma. Atrair: vem! Isso deve ser algum problema de cabeça, mas quer saber; eu não ligo, pouco me importo. Não quero mais perder tempo, que se antes eu disse que não preenchia, agora digo que perde meu tempo. Levanta dessa cadeira, pára de ler essa merda! Vem! Aqui que eu estou te esperando. Sozinho, sólido, inócuo, virgem. O meu corpo está quente, meus dedos estão gelados, minha vida se perde um pouco, pulo de cigarro pra cigarro, isso quando não os esqueço longelíneos no cinzeiro. Não penso mais nada, espero. Que de gente eu já estou cheio, você sabe disso. De dias eu já estou cheio. De noites também. Vem! Meu coração transborda um estalo leve e possante, dai você conseguiria ouvir, é possante. Os meus pés tremelicam e enraízam-se, pontualmente de três em três segundos. Vem! Eu não quero saber de mais nada, não quero sentir mais nada; vou me deitar esperando a hora de você chegar e me acordar com um beijo! Vem… Já mandei parar de ler essa merda! Porque agora eu sou alma precisando de alma. Hoje sou atento-tento… os olhos fecham de novo, sozinhos, exatamente como eu: sozinhos… Ve

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

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Um dia eu vou sorrir, e será sem culpa, sem causa.
Um dia a dor vai ter fim, a lágrima refrescará a face.
Dessa vez nem o bloco do eu sozinho saiu as ruas;


(Tem algo de profundo na dor que orgulha; o homem que dói é o homem que vive. A tristeza é a forma mais suja de felicidade)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Lembra?

Nos temos as nossas verdades, mesmo que estejam mal-contadas. Não importa. Nós estávamos sozinhos o tempo todo, lembra? Trilhamos a nossa história, e eles nem viram. Eles não leram as nossas cartas, não participaram dos nossos pequenos poderes, não sentiram os nosso corações cortando o vento, quebrando medos, eles não tocaram o nosso sangue. Talves tenhamos culpa sim, talvez seja as coincidências dos nossos atos, mas sabe o que eu acho; não foi coincidência, pois nós coagimos, mesmo que em segredo. Agora, depois de tudo isso, ainda estamos ligados. Eu não lembro de uma conquista minha que não a dividimos. Edificamos uma vida inteira, e essa história se tornou maior que nós. Fomos cúmplices de crime sem culpados. O que está acontecendo?! Justamente agora que as pequinezes do tempo se foram. As pessoas [pequinezes] bobas se foram.
Nós estamos envoltos em um véu brilhante, transparente, que exorta os dedos maliciosos, que nos cuida, um véu que nos transborda uma vida de afagos, uma vida doce, de sonhos lúcidos, de confissões; um tecido tecido a dois. Fizemos um milagre fugaz; a realidade inventada. Que se desligue o nosso passado se com isso pode-se cobrir com véu o nosso futuro. Afinal, nós já somos o que nós passamos.
Se você continuar a jogar fora os símbolos do que aconteceu, ainda não terá jogado fora o que aconteceu. Pois símbolos, símbolos são.
Eles disseram que somos fracos, mas, lembre-se, eles não nos conhecem.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Amor asfixiado

Quando ela está no sofá, eu somente olho.
Se ela fosse apenas essa beleza vinicolante;
eu me embeberia, feliz, na tua presença.
Quando ela se levanta eu corro. De medo.

É que os gritos pela casa ressoam na alma.
A braveza dos seus sapatos masculinos
contrapõem
as sutís unhas pintadas de rosa e branco.
Atrás da casca uma mulher de sonhos


E no sofá, eu somente olho;
a sua beleza asfixiante.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Naturalmente simples

Andando com o pé na terra, pisando em folhas secas
rodeada de árvores grandes. Submersa numa poesia comum
sorrindo.
De blusa azul clara, short caqui, cor de terra, misturada com o chão.
bonita, nova, feia, viva... feliz.
A menina anônima num dia qualquer.
Alguém viu?