sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

No susto

Sabe o que eu assim de repente acabei de notar?
Que exatamente hoje faz dez ou dose anos que a gente não se vê.

Já nem me lembro mais que você tem rosto.
Meu Deus! Está viva?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Eu fico aqui pensando...

O vento passa e leva, o vento passeia
Passeia entre as coisas e as pessoas
o que tem de mais pesado vai sem pressa,
o que tem de mais suave, se apressa.

Pórem, cá estamos nós dois, vivos
Porque até no caminho do vento tem pedra.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Meu vício

Tem alguém aqui pronto pra falar da bizarrisse das coisas? Da beleza e superficialidade do que resta? Porque eu estou tentando parar. Na verdade, não tenho outra escolha.
Com o tempo, tudo tem a possibilidade de se tornar um vício. Preste bastante atenção nisso, pois tudo, mesmo parecendo apenas uma mania boba, tem sempre a possibilidade de se tornar um vício, bom ou pernicioso, tanto faz.
Pra ser o mais sincero possível, eu devo dizer, que o que está me acontecendo é que o que antes era um prazer infindado, agora é meu tormento. Pois não há mais o que dizer. Esgotaram-se as minhas fontes, e assim, esgotaram-se as minhas palavras. Não me expresso mais.
Não é de se surpreender que algo assim aconteça. Nunca vi nada demais nessa vida, tenho a mesma memória de qualquer homem de quarenta anos, uma vida passada sem grandes acontecimentos, sem nenhum heroísmos histórico. E minha imaginação também não é lá grande coisa assim.
O melhor que me vem, é um monte de imagens em completa desorganização, imagens que me fazem ter a ânsia de descrevê-las, mas que estão em tamanha desordem que nada posso fazer senão me render a sua loucura. E dessa loucura obscura nada se extrai.
Me encontro no fiasco do que dizer. A absoluta falta de assunto, falta de personagens, planos ou não. A plena incapacidade de matar, ou até mesmo de dar vida a alguém mirabolado, a falta de técnica, de sabedoria, a falta de vida. A falta de vida. É estranho pensar, mas tudo era a simples necessidade de falar da vida das coisas, falar dos detalhes silenciosos. Ter o relato, a descrição, o pormenor. Mirar os óculos para os pequenos âmbitos efêmeros do que não se percebe. Meu vício. Algo que construísse em si um início e um final, que tivesse num retrato, talhado em palavras, a expressão de uma ação. A busca ideal da compreensão humana. Fazer da parte, o todo, do fragmento, a completude. Isso foi ambição demais. Não tinha o direito de ser esse meu fracasso, justo o que me parecia ser o meu poder. O único lugar onde eu poderia escolher entre o sim e o não. Aonde eu tinha o verbo.
Eram nas histórias do meu mundo particular que eu mantinha o meu elo com o que não é profano, eram nas histórias os meus orgasmo espirituais, o mundo onde eu vivia e morria e vivia e morria, o canto que me refugiava da bandalheira e do oxigênio que sempre me faltava, eram nas histórias que eu me sacramentava... o único lugar onde eu não existia.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Doce declinio

De bom, nada mais sai.

O que tinha algum proveito,

foi corrompido pelo cansaço,

como a flor é esfacelada pelo vento.

O que antes era refresco agora é veneno.

E por ter, em algum momento sentido tanto calor,

agora estou eu aqui, dilacerado, vazado, entregue e desatento.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Oo crime

Escorreu os pedaços da culpa pelo ralo.
Abasteceu-se de sangue saciado.
Mas no fim?… Soluço.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

E de recomeços

Talvez porque o dia tenha se amanhecido estranho ou porque ele não se continha mais nas suas grandes expectativas, não havia mais uma possibilidade de equilíbrio, não havia mais a chance de conciliação entre o que lhe ocorrera durante a noite e o que se passara por toda sua vida até então. E nessas manhãs que sem mais nem menos se acorda mudado, não há choro que cure, não há desespero suficiente. Tem que mesmo assim levantar-se, tomar o leite e sair ao trabalho. É preciso ter o trabalho. Pois depois de um tempo grande qualquer, o que se faz é continuar em um movimento que não tem mais força para cessar. Não depende mais se se é um novo homem. E continuar deitado é o único modo de se render. Há que se provar a coragem.
E de recomeços, o que lhe resta é recomeçar o que já acabado. O que lhe resta é incorrer no mesmo erro. E de recomeços, o que lhe resta é morrer tentando.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Urgência absoluta

Não se preocupe tanto, não se desgaste por mim...
Eu sei que as vezes se tem a urgência absoluta
e mesmo assim eu te peço, não se desgaste tanto...
Nem sempre se tem tempo pra resolver as coisas,
é bom deixar tudo se consumindo também.
Ver o fim disso que parece estar sempre no meio.
ou tudo se explode ao tudo se clareia, tanto faz...
É essa urgência.
É essa urgência.
Que mantêm o peito amarrado, as costas presas.
é estranho pensar que a gente se prende ao tentar emergir.
Tudo se entulha e não entendo mais nada.
Se afunda se houver emergência. Se houver emergência.
Me desculpe o trocadilho, assim nesse momento encruzilhada.
O tempo passa e meu humor se torna cada vez mais ácido.
Por ser mais ácido, com o tempo, ele se torna mais rápido
é que meu humor, é... mais rápido...

mais rápido, mais rápido, mais rápido!