Há desilusão em tudo... por Deus!
Acabou-se a calma do mundo. Eu,
um homem acostumado aos festivais
desisti de ser criança.
e tristeza
Acelerado 2
Há uma semana
As pessoas andam virando bolha, assim sem mais nem menos, de repente bolha! Sei que em breve fecha-se-rão os cinemas, as bibliotecas, praças e tudo mais que tiver portas. Ninguém sabe como isso acontece, se é contagioso, se é vírus ou se não é nada. Estou começando a ficar assustado. Tem muito tempo que está acontecendo e não se fala nada a respeito, ainda sequer é notícia. - Grita pra ver se alguém escuta! Me sinto pequeno, na ordinária condição de homem comum. A bolha não pensa raça, credo, nacionalidade ou status, ela simplesmente pega. De repente bolha! Não há remédios ou solução. Nada se pode fazer senão, complacentemente, tornar-se. E em meio a tudo isso, o estranho é que quando fecho os olhos, tudo que me vem é a imagem de um longo pinheiro, grande, por tocar o céu, sereno e profundo... – Grita pra ver se alguém escuta!
Ele é como uma flor murcha, cheia de passado, que mesmo à beira da morte carrega em si a vida na sua essência. Ele pára pelas noites e olha, acho que é porque enquanto ele está vendo não está sendo visto, foi assim que se tornou espectador de histórias perdidas em esquinas, e traseiras de ônibus, as maiores histórias do mundo. Ele é a única testemunha de si próprio, não há solidão maior que sua, não há tristeza maior que sua; ele sente… e transborda. Desaprendeu a chorar. Porque o choro é como um jeitinho nas coisas, chorar pra doer menos. sob o sol, ele esperava. O vento batia, a chuva caia, mas sob o sol ele esperava. E de tanto esperar, um dia sem mais nem menos ele escreveu. Começou falando como era esperar sob o sol, que o calor que ardia não era tão ruim assim, na verdade era como a alma acalentadora de Deus. Falou das chuvas chuvosas, dos ventos ventantes, dos dias que nem chovia nem fazia sol, dos dias sem nuvens, dos dias sem cor, dos dias sem dia. Os seu coração que guardava se espalhou por papéis. Noutro dia, assim também, sem mais nem menos, escreveu uma carta, contando a história de um cidade onde as pessoas viravam bolhas, história dessas, sem pé nem cabeça, que dá na cabeça da gente. Postou sem remetente, no correio em um endereço inventado pra que um dia alguém se cansasse daquela carta fechada, sem ter sido lida, afinal as letras são a combinação de tudo que há no mundo. E depois disso, ele se sentiu grande, se sentiu preenchido como nunca havia antes, não tinha mais como parar, seu coração aprendeu a se espalhar de diversas formas, por bilhetes pra estranhos, por anúncios em jornais, por frases em muros abandonados, por notas de um real. E tanto fez; e tanto fez; que nem percebeu que a única história que continuaria a morrer com ele era a única incontável… a sua. Como um balão que vai enchendo, enchendo e quando estoura, se dissipa, acaba, some, consome… desencanta.