Acelerado 2
Há uma semana
E ela sentada lá de novo, comendo seu famoso doce de queijo. Sempre na mesma cadeira, em frente a diretoria. A cadeira reservada aos meninos atentados que pra lá são obrigados a ir. Os pés balançando por não alcançarem o chão. Olhos claros, pela branca, suave. O olhar leve e sereno de sempre. A boca apertada. Os lábios bem irrigados de sangue. Mulher ainda menina. Poderosa sem saber porquê, poderosa sem saber;
Nos temos as nossas verdades, mesmo que estejam mal-contadas. Não importa. Nós estávamos sozinhos o tempo todo, lembra? Trilhamos a nossa história, e eles nem viram. Eles não leram as nossas cartas, não participaram dos nossos pequenos poderes, não sentiram os nosso corações cortando o vento, quebrando medos, eles não tocaram o nosso sangue. Talves tenhamos culpa sim, talvez seja as coincidências dos nossos atos, mas sabe o que eu acho; não foi coincidência, pois nós coagimos, mesmo que em segredo. Agora, depois de tudo isso, ainda estamos ligados. Eu não lembro de uma conquista minha que não a dividimos. Edificamos uma vida inteira, e essa história se tornou maior que nós. Fomos cúmplices de crime sem culpados. O que está acontecendo?! Justamente agora que as pequinezes do tempo se foram. As pessoas [pequinezes] bobas se foram.