domingo, 15 de fevereiro de 2009

Naturalmente simples

Andando com o pé na terra, pisando em folhas secas
rodeada de árvores grandes. Submersa numa poesia comum
sorrindo.
De blusa azul clara, short caqui, cor de terra, misturada com o chão.
bonita, nova, feia, viva... feliz.
A menina anônima num dia qualquer.
Alguém viu?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

(Des)fé

No pulsar incessante do grande relógio dos dias, onde não há ponteiros girando, há apenas as pontas esquecidas, perdidas, fedidas. Não há mais o que se fazer por aqui [nem por lá].

Isso é sobre absurdo de gente.

Porque se parar pra gritar, o grito vai consumir, definhar. E nas cinzas nada mais pode-se fazer, nada por ninguém, nada. Depois de todas estas estações gélidas, petrificantes.
Das cinzas um grito poeiriu se vai soltar, mas nada além de levantar a alergia dos homens conseguirá, nada além de tornozelos torcidos, de tempo perdido. No máximo gritos das cinzas.. poderemos chorar feito os inconformados, chorar eternamente, mas se resolvermos não chorar, nada além se fará.

Deveria ser simples como esmagar uma pulga que nos arde. Mas não, sempre não. Tudo acontece ao nosso redor, a nosso respeito, com muito despeito de desrespeito, e nada sempre, nada... nos becos sem saída tem sempre a opção de tentar pular os muros. paredes assustadoramente altas [impuláveis]. parado. Nem andamos pra onde esperam que vamos, nem voltamos, porque de caminhos percorridos já basta. De gente palidificante percorrida já basta. Acho que o melhor é seguir o conselho das mães. Tomar pra si a culpa dos erros do mundo, e comunicar com Deus pra ver se resolve.
Mesmo sem acreditar num centelho de força divina sobre os infernos humanos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

pilastra de hoje


Tem dia que a gente acorda com uma sensação ruim
o corpo cansado e
a mente estafada.
Sentindo tudo meio
à flor da pele, sabe?
E
quan
do
bam
bo
é difícil até mesmo
levantar daqui agora.
[Constância poética.]
Mas se acordarmos
bem, e simplesmente
sentirmos os pés no
Chão. O insustentável.
Criar no chão a nossa
força, sabendo (se)
no chão, enraizar.
É entrar em contato
com o que Deus fez
é ser um pouco Deus
A nossa própria pilastra.
A nossa base de profundazas, a pele viva entranhada, o dia amanhecente.
Somos como os icebergs, é no que está abaixo de nos que nos equilibramos.

[A vida humana é como a procura de algo já encontrado, é no fim de tudo, uma eterna perda de tempo]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O meu pedaço de mundo

Cresci! De uma hora pra outra... Todo mundo se assustou.
Sabe o que eu acho? Que depois dos quarenta, ninguém mais acredita.

Matei a mulher que existia em mim e cresci mulher aos gritos. Gritei até perder a razão, gritei por uma vida inteira de silêncios desnecessários, assim, na hora errada, do jeito errado, no buteco da esquina.
A poeira levantada e eu respirando profundo, que se me engasgo, será por força.
O que dirá Manuel, o barista, à mim sequer se anuncia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

[Um buraco no espelho]

Algumas coisas são mais intensas que parecem. Um beijo roubado. Algumas coisinhas…
Um olhar roubado.

Estou descobrindo muito, assim sem saber. Sem lente de aumento.

De repente blues mexicano. De repente seios despudorados.

Sabe de uma coisa?


- Eu perdi o medo de te dizer – dizendo –
Não estou aqui atrás de belezas bonitas. Mas estou atrás de belezas, você por um acaso pode me mostrar algum pedaço de mundo?

- Eu não te entendo, e não perdi medo nenhum – respondendo – Eu não te entendo, e não perdi medo nenhum

domingo, 25 de janeiro de 2009

Anônimo

Dos sexos lidos, dos sexos vistos
Apenas alguns são mais do que são,
de três dias atrás a mil e um noites em vão.

sobre sexos depravados, há sempre algum perfume inexplorado

dos sexos dos anjos, sacro-santos, abençoai-vos, mas não.
dos vírgem-sexistas, uma lástima perdida numa só vastidão.

Aqui a pobre rima, a pobre poesia

[Aqui, as delícias de alguém que mente algumas verdades fantasiadas. (Que cria e foda-me!) Porque meias verdades de uma alma, mesmo que criadora, mentiras são.
Possibilita-me um deleite intelecto-carnal. E infelizmente como para mim, hoje sim amanhã talvez, intelecto ainda é pouco frente a sublime possibilidade do carnal(-fantasioso)]


De puros reflexos horror e amor.
Por instinto prazer e rejeição.

De tudo um pouco teríamos, se fossem simples retratos de uma profunda solidão.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Surdos então

Quando eu te fizer uma pergunta, responda!
Que de pedaços já estamos cheios. Acabados
por motivos (des)conhecidos por coincidências.

Qual é a imoralidade do grito seco, empurrado?
Se se arrumar e me chamar eu vou, é só falar
alto e em bom tom, ou apenas alto,
que se dane os tons.

Escutemo-nos pela carne se os mundos convergirem.
Sorria abertamente mesmo fedendo cigarros velhos
ou então
seja simplesmente sincero ao que te perguntam

[Os silêncios dos nossos dedos mortificam uma alma mentirosa, mas viva]