quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Feliz aniversário

Mais um ano cigano. Mais uma boa festa, mais champanhe. Façamos festa, façamos muitas festas pra calar os vizinhos, pra abafar o vapor. Criar é uma escolha, é uma questão de decisão, precisa-se um pouco de tudo, de cultura a cigarros, um pouco de tudo. E muita dor, muita angústia pra um minuto de leveza, a “insustentável leveza”.
Por hoje, um dia depois, passou de novo a mesma enxurrada de sempre, sempre esperada. O cheiro de terra molhada segue o seu percurso, exalando poder. A rua vazia, o medo dos raios, os raios são insistentes, eles vêem, sempre vêem!
Por enquanto sem mais o que dizer eu sigo fazendo festas…


“Sempre fazendo festas pra encobrir o silêncio”.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Malas à cama

Aquela tarde que começara mal ainda me guardara uma surpresa.
A luz batia em seu rosto de uma forma singular, senti naquele momento que nunca mais veria rosto algum com tanta forma e graça.
O amor nunca é tão cruel como quando você acha que ele vai acabar.
Ela olhava um retrato pintado em 7 de abril de 1875. Lembro-me bem deste dia. Foi um dia como outro qualquer, pic-nic no parque central. Conversamos sobre o dia, sobre o amor, sobre nós, sobre a sogra engraçada da mesa ao lado, a vida, a morte e o que separa essas duas partes.
Vendo ela olhar o retrato com tanta melancolia, recordei-me daquele dia comum com um intimidade inesperada. Eu, naquela época, era convicto da infinidade e da plenitude.
Quando percebeu minha chegada, era como se o olhar que ela me dera não pertencesse a nossa história. Tinha uma frieza que me congelou e que me fez sangrar com o copo de vinho que se soltara da minha mão manchando pra sempre o tapete Persa pelo qual passamos horas a fio em sua procura, quando a ternura ainda não havia se perdido.
Em que momento o nosso amor se esvaiu? Que movimento para esquerda ou para direita o transformara nisso?
Parecia que um tornado tinha visitado nosso quarto, a camisa de botão dourada, no chão, o porta-jóias revirado, o vestido de ceda mal dobrado.
Eu acreditava também que mesmo que os amantes se perdessem o amor ficaria, e com um casamento que transcendia através do tempo, não havia como amantes se sustentarem.
Fui em sua direção sentindo paradoxalmente prazer e morte, amor e ódio. " Não. É melhor que você não me toque." Foi a pior coisa que ela me dissera em uma vida inteira de dedicação e companheirismo.
olhei para o espelho a meu lado esquerdo e percebi a lágrima que corria errante pela minha face. Isso não poderia acontecer. Sempre era tão cômodo estar a sua presença. E somente nesse momento percebi que um dia, não sei quando, eu havia parado de conquista-la. Ato esse que feria como adaga o mundo perfeito e ilusório daquele rapaz apaixonado em busca de uma vida inteira, no dia 7 de Abril de 1875.



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19 de Junho de 2005
Fabiano Rabelo

Hoje sim, amanhã talvez



Daqui a pouco o dia clareia… e eu estou no momento, e eu sou no momento. Eu não paro mais de pensar em como as coisas escolhem a gente, e… e… e nada! Nada pode ser feito, são as coisas que escolhem. Se você for uma criança nascida no Norte, pronto, natação, ballet, sapateado, penteado. Se nascer no sul, natação talvez, ballet talvez, sapateado talvez… nunca há como escolher, as coisas são como são e mais nada a escolher…
Para os desconformados pouco a se fazer… e ainda se ensina nas escolas que hoje não vivemos mais uma sociedade estamental. Mas eu digo: vivemos! Pena ninguém poder escutar… quem ou longe conseguir ouvir repita com todas as forças; VIVEMOS.
Logo chegará minha vez, logo chegará a vez de todo mundo que tem vez, que tem chance. Quisera eu ser um idiota apenas, sem saber como andar sozinho, sem saber que andar faz parte, assim ao menos eu repararia mais em flores simplesmente. Pra quem conhece Lars Von Trier sabe que os idiotas tem seu lugar ao sol. Talvez ele sejam realmente mais felizes. Mas “talvez” não entra mais nas minhas escritas, não por hoje, não nesse momento do agora. Porque agora eu não sou talvez, sou apenas sim.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Pra você

Quanto tempo se passou sem que eu viesse aqui ao menos te dar um "oi"?
O tempo é assim, ele passa... sem nem mesmo perguntar se pode.

Aconteceu muita coisa sim, e eu não esquecia de você. Sempre tentando achar o melhor momento de te contar meus segredos... não são muitos segredos, na verdade nem segredos são, mas...

A gente nota, um bom companheiro é sempre um bom companheiro, e não é necessário que se diga tudo, você é meu bom companheiro e pronto, pra quê ficar o tempo todo falando?

Eu estava precisando por pingo em "I's". Por ponto em finais de frases, sem pensar. E você me faz pensar muito sobre tudo. Não acho que seja o melhor momento pra discutirmos a nossa relação, passamos muito sem que nos falássemos pra nos perdermos em parcas considerações, pelo menos que não seja assim em público... [eu sei que juntos somos públicos] Então que publiquemos...

Te falar isso vai parecer meio sem sentido, [faz muito sentido, faz muito sentido] mas lá vai: não gosto muito de ficar dizendo não, mas hoje estou fazendo escolhas, e escolhas se parecem com "não", escolher é dizer não a alguém [as vezes dizer "não" a mim mesmo (estranho isso, ?)]

O natal já se foi, o ano acabou de novo e está quase chegando a hora do tão esperado texto de aniversário... calafrios, eu sei, sempre muitos calafrios. Esses textos de aniversário são sempre ruins de se escrever e acho que de ler também... me desculpe por isso, não faço por mau. Eu queria mesmo era saltar alto e emanar felicidade, mas as coisas vão acontecendo e eu vou sentindo, e é assim, quando eu tento passar tudo a limpo pra você, quase nunca acaba bem, e depois de tanto tempo de boas horas perdidas/ganhadas aqui, acho que ninguém melhor que você pra me entender...

Senti saudade!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Cansei

Cansei de muita coisa, tudo de uma só vez;
Engraçado, até ontem tudo era tão normal, tudo estava em seu lugar, na estranha e suave harmonia do universo. Hoje eu fico só com a "estranha harmonia" porque cansei; não aguento mais acordar todo dia e ver as mesmas pessoas, as mesmas coisas, ver os mesmo carros parado na minha portaria, viver a mesma vida, assistir aos mesmos filmes americanos, e variando bem de vez enquando, fugindo da rotina com um europeu ou um nacional, mas que de tão comuns às fugas já não são mais fuga de nada. Cansei de ouvir Jobim, de ouvir Toquinho e, acho até mesmo que me cansei de ouvir. Cansei de ler os mesmo livros, sim os mesmo livro; que de tão iguais não vejo mais nada além de páginas brancas. Cansei de procurar, cansei de tentar, cansei de cantar... Cansei de mim, de você ou de qualquer outra pessoa. Hoje eu acordei, e quando tirei a remela do olho passou pela minha cabeça outras mil vezes que já tirei remela. Fui tomar café, e mais uma vez, mil vezes lembrei. Pois então, cansei...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

No soluço de um momento

Eu andei pensando muito… pensar é bom, ao menos parece bom… é bom?
Uma das coisas que me fez perder um bom tempo foi “eu”… [e reticências] não é pouca coisa eu pensando sobre mim; tente você pensar em você quando puder. Aaaaf…. A….f…. Então hoje é dia de falar, e vai ser sobre mim. Falar sobre o que eu sou é difícil, não sei nem por onde começar. Falar sobre o que eu era é difícil, acho que não me lembraria das coisas mais importantes. Falar sobre o que eu serei não tem jeito… na verdade eu nem sei… enfim… quem sabe se hoje eu falasse apenas sobre o que eu quero? Acho que pelo menos isso eu consigo. É simples, somente eu sei exatamente o que eu quero. Então não haverá problema algum em dizer. E escrever é ainda mais fácil. É eu quero e mais nada além do que eu quiser. Poucas são as coisas tão simples assim… E… Eu quero… bem… então, eu quero… Eu… ahmm… pois bem…

Acho que nem isso na verdade…

Ou melhor, sim – Você sabe o que é felicidade? Eu gostaria de saber… acho que isso eu quero. Saber como é felicidade, essa palavra tão bonita. Uma vez, uma grande amiga disse que a coisa mais pura que já tinha visto era um menino se encantar com uma palavra. E se assim for, encantado eu também estou… [felicidade] …Se ela estiver nas coisas grandes, eu quero as coisas grandes, se estiver nas pequenas, então são estas as coisas que eu quero. Se a felicidade morar no “Japão”, eu me mudo pra lá, se morar em “Thar”, no “Continente Negro”, ou em qualquer outro lugar que digam, não haverá problemas, eu largo tudo e vou. Não adianta perder tempo pensando. Ou adianta, na verdade nem isso eu sei. Eu estou vivendo a lucidez do momento. E ponto. Mas voltando ao assunto, uma coisa eu sei, felicidade é bom. Se ela estiver nos filmes eu assisto todos, se for o dinheiro, não tem problema também, eu ganho… se ela vier com trabalho, se precisar correr… qualquer coisa!

Parece que não adianta perguntar! Ninguém dá resposta pra nada nesse mundo… mas pergunta? Todo mundo tem as suas e não sou diferente de ninguém. Vou ser sincero. Já fiz essas mesmas perguntas antes. Um monte de vezes. Talvez uma hora dê certo, talvez em algum momento venha uma alma grande e bondosa, mandada diretamente por Deus, pouse do meu lado, e me solte a bomba… me diga… me responda… (Deus?)
Por enquanto assim eu vou procurando mesmo

Aqui?
Aqui?
Aqui!?
Ou não?

...


Não tem um segredo, ? Nem uma chave de ouro que abre uma porta iluminada. Os que são sábios insistem em dizer que justamente isso de não ter um segredo ou uma porta é a tal bondade Dele (Deus!) …E que daqui pra frente, por um bom tempo, eu penas pense… Valham-me os sábios!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Dos devaneios de ontem

Acho que a compreensão de algumas coisas agitadas do mundo é uma questão de tempo, requer calma. Quando eu digo tempo, estou falando da vida mesmo. Vida e lentidão são coisas muito parecidas.
Hoje foi um dia duro. Manhã acinzentada, recauchutada por cinzas durante a atarde, à noite com todas as cinza em guerra com a harmonia, e somente agora, na madrugada do dia, a serenidade. Mas é assim mesmo, ? Por mais que a gente sinta raiva, é sempre na ressaca dos problemas que eles se resolvem. Temos mais é que esperar… tempo de novo… Esperar pelo tempo é das coisas mais engraçadas que já ouvi… esperar é o tempo… mas nem tudo faz sentido. Tudo no universo tem um linha de coerência, e quase nunca os homens conseguem captar as suas formas sutis. A expressão do mundo está nos pequenos detalhes. É tudo muito louco mesmo, eu sei. O mundo é gigante, gigantesco, mas sua expressão está nos pequenos detalhes, nas pequenas coincidências. As vezes é bom fechar os olhos e continuar andando, deixando o vento encher nossa cabeça de imagens, que os olhos nunca poderiam ver. Sinto vontade de rir; Rio… Nos somos apenas uma parte, um pequeno detalhe… é ridícula nossa existência. Mas existimos, e sempre quase felizes somos… quase felizes… Não há problema. Basta que a gente continue assim tentando se amar e de quase em quase, quase sempre conseguindo.
Quanto às crises…
Vivemos das crises, crescemos nas crises. Estar em conflito é abranger as coisas, é ampliar. Isso me parece tão bom.
Amplie, eu te digo, amplie… estique, os dedos, os músculos, os horizonte… pelo menos eu estou tentado.

Se de tudo por hoje continuarmos no impasse – Feche os olhos.